NOVA 1-BPI com prejuízos em 2011 devido exposição Grécia
(Acrescenta citações do CEO, mais informação)
Por Sergio Goncalves
LISBOA, 2 Fev (Reuters) - O terceiro maior banco cotado português BPI teve um prejuízo de 204 milhões de euros (ME) em 2011 contra o lucro de 185 ME em 2010, penalizado por imparidades 'one off' resultantes da exposição à dívida soberana da Grécia e à transferência de fundos de pensões para o Estado, segundo o BPI.
"O prejuizo deve-se sobretudo devido ao impacto de imparidades resultantes da exposição à divida da Grécia e da transferência do fundo de pensões para o Estado", disse o Chief Executive Officer (CEO) do BPI, Fernando Ulrich.
O BPI referiu que contabilizou uma imparidade de 71 ME devido àquela transferência de fundos de pensões e outra de 339 ME devido a ter usado um 'haircut' de 64 pct na posição em que está exposto à dívida pública grega.
Os analistas tinham estimativas muito díspares quanto ao resultado líquido do BPI em 2011, variando entre um lucro de 108 ME, caso o banco não levasse ao 'bottom line' a imparidade da sua exposição à dívida da Grécia, e um prejuízo annual de 195 ME se esta imparidade fosse levada a resultados.
No entanto, o CEO do BPI frisou que, excluindo impactos extraordinários, a actividade corrente teve um lucro líquido de 115,9 ME, tendo a margem financeira subido 13,2 pct para 576,8 em 2011, tendo as comissões descido 5,4 pct para 297 ME e os ganhos de trading aumentado uns ligeiros 0,1 pct para 97,4 ME.
Fernando Ulrich destacou o facto de os depósitos terem aumentado 7,1 pct, um dos aspectos que distingue a banca em Portugal face às dos outros países que estão sob 'bailout' -- Grécia e Irlanda.
Por seu turno, o crédito a clientes diminuiu 6,1 pct "em resultado da desalavancagem em curso e da retracção da procura, provocada pelo agravamento económico e financeiro", sendo que o rácio de crédito em risco se situou em 3,2 pct -- "um dos mais baixos entre os bancos ibéricos".
"O rácio de transformação de depósitos em crédito fixou-se em 109 pct, pelo que o banco já cumpre (a meta de) 120 pct exigível (pela 'troika') aos bancos portugueses em 2014", afirmou Fernando Ulrich.
Em 2011, os custos, excluindo custos com reformas antecipadas, caíram 4,4 pct.
O CEO realçou que o BPI está confortável quanto à gestão de liquidez, tendo tido um financiamento líquido do Banco Central Europeu (BCE) da ordem dos 1.800 ME.
Em 2012, as necessidades de refinanciamento líquidas são contidas de cerca de 530 ME e, para entre 2013 e 2016, em redor de 414 ME.
O CEO referiu que, mesmo após os impactos 'one-off' negativos, o BPI fechou 2011 com um rácio core-Tier 1 de 9,5 pct contra 8,7 pct em 2010.
"Este valor de rácio (core-cpaital no final de 2011) é significativamente superior aquele que tinhamos antes da crise financeira se ter desencadeado, o que é visível pelo core-Tier 1 entre 2004 e 2007 se ter situado em média nos 5,6 pct", afirmou Fernando Ulrich.
OLHA INSTRUMENTOS PARA CAPITAL, INCLUINDO LINHA PÚBLICA
O CEO reiterou que analisa todos os instrumentos de reforço do seu capital, não excluindo o recurso à linha de capitalização da banca contida no 'bailout' a Portugal.
"O BPI sempre disse que estudaria todos instrumentos, incluindo a linha publica. Não haverá grandes surpresas nessa matéria, tanto mais que nessa linha pública haverá possibilidade de instrumentos convertiveis (CoCos)", afirmou Fernando Ulrich, referindo que o plano foi entregue ao Banco de Portugal.
Lembrou que recentemente o presidente da espanhola La Caixa -- maior accionista do BPI -- manifestou publicamente apoio ao banco português e até disponibilidade para eventualmente por mais capital, mas destacou que daí não se pode inferir quaisquer indicações de que haverá um cash call.
O 'bailout' de Portugal, no montante de 78.000 ME emprestados pela União Europeia (UE) e Fundo Monetário Internacional (FMI), já inclui uma linha de 12.000 ME para a capitalização da banca, caso os bancos não consigam reforçar os seus capitais por meios próprios e/ou no mercado.
O acesso à linha pública, através de emissão de instrumentos de capital contingente (CoCos) a cinco anos, tem a vantagem de não diluir os actuais accionistas, mas ainda há grandes incógnitas quanto ao seu custo e termos, segundo analistas.
Em Dezembro último, o BPI anunciou que tinha de reforçar os seus capitais em 1.389 ME para atingir a meta de um core-Tier 1 de 9 pct em Junho de 2012, imposta pela Autoridade Bancária Europeia (EBA).
Explicou que, deste montante, 1.359 ME correspondiam ao valor resultante das exposições a dívida soberana, dos quais 989 ME respeitavam a dívida soberana portuguesa.
O BPI é o primeiro banco a divulgar contas em Portugal, prevendo os analistas que a banca portuguesa tenha tido fortes imparidades extraordinárias devido àquela transferência de fundos de pensões, bem como alguns tenham sido castigados pela exposição à Grécia e provisões extraordinárias de crédito.
O Millennium bcp e o Banco Espírito Santo divulgam as suas contas de 2011 amanhã, após o fecho de Bolsa.
Em Dezembro último, 16 bancos portugueses transferiram 6.000 ME dos seus fundos de pensões para a Segurança Social, de forma a permitir ao Estado encaixar uma receita extraordinária e colocar o défice público de 2011 nos 4 pct do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo da meta de 5,9 pct.
Contudo, antes de transferir os fundos de pensões, o Governo pediu aos bancos que reduzissem a taxa de desconto para calcular o 'Net Present Value' das suas obrigações futuras para 4 pct dos anteriores 5 pct, o que implicou perdas enormes para os bancos.
A 'troika', na sequência de uma inspecção às carteiras de crédito, obrigou alguns bancos a constituirem provisões adicionais para 'bad loans', mas o BPI não teve de fazer qualquer provisionamento adicional. (Por Sérgio Gonçalves; Editado por Filipa Cunha Lima)
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