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Portugal Telecom deve encaixar 100-115 ME por ano em dividendos Oi
February 17, 2012 / 4:15 PM / in 6 years

Portugal Telecom deve encaixar 100-115 ME por ano em dividendos Oi

Por Filipe Alves

LISBOA, 17 Fev (Reuters) - A Portugal Telecom (PT) deverá encaixar entre 100 e 115 milhões de euros (ME) por ano em dividendos da sua participada brasileira Oi até 2015, crucial para a PT manter a actual generosa remuneração aos seus accionistas, segundo analistas da Bernstein e do Citi.

A empresa brasileira, detida a 25 pct pela PT, vai anunciar o seu novo plano estratégico e dividendo plurianual até 2015 no ‘Investor Day’ de 17 de Abril, após a conclusão da reorganização societária e operacional que será aprovada na assembleia-geral de accionistas a 27 de Fevereiro.

“A Oi deverá anunciar uma política de dividendos que permita aos seus accionistas controladores pagar os encargos da respectiva dívida. Isso significa que a PT deverá receber cerca de 100 milhões de euros por ano”, disse o analista John Keith, da Bernstein.

Os analistas do Citi estimam que a PT encaixe 115 ME de dividendos da Oi relativos a 2011, num research distribuido aos clientes esta semana.

“O desempenho operacional da Oi vai continuar sob pressão em 2012, na medida em que será um ano de transição para o negócio. Porém, acreditamos que a Oi vai anunciar uma política de dividendos generosa que deverá reforçar a confiança na capacidade da PT pagar o seu próprio dividendo”, referem os analistas Georgios Ierodiaconou e James Rivett.

Dois outros analistas, que pediram para não serem identificados, prevêem um valor de 110 ME relativo 2011, tendo ambos estimado que o dividendo tenha um aumento de 3 pct ao ano até 2015.

Estes dividendos serão um dos factores decisivos para que a PT possa pagar os seus próprios dividendos - e cumprir a promessa de os aumentar entre 3 e 5 pct ao ano até 2015 -, adiantaram os analistas.

“Os dividendos da Oi serão um ‘key factor’. Serão a diferença entre a PT ser capaz de pagar o seu dividendo a partir do seu ‘cash flow’ ou ter de se endividar para o fazer”, vincou John Keith.

Para tal, será necessário que a Oi aumente a sua dívida, disse o analista do Bernstein, que está “céptico” em relação à manutenção da quota de mercado da operadora no segmento fixo, que representa 75 pct das receitas.

“Dificilmente a Oi poderá aumentar dividendos sem se endividar ela própria”, disse.

“A futura política de dividendos da Oi, que ainda não foi anunciada, deverá, em nosso ver, suportar os compromissos da Portugal Telecom”, salientaram, por seu turno, os analistas do BES Investimento.

A PT tornou-se a maior accionista da Oi no ano passado, com 25 pct do capital, após a venda da Vivo à Telefónica .

A Oi é a maior operadora de telecom do Brasil, com cerca de 62 milhões de clientes, estando neste momento a concluir um processo de reorganização societária e operacional que será votado em assembleia-geral, a 27 de Fevereiro.

Actualmente, os estatutos da Oi obrigam a administração da empresa a distribuir como dividendo 25 pct dos lucros anuais.

Outros analistas colocam a ênfase na eventual melhoria das condições de acesso ao crédito, a partir de 2013, como elemento ainda mais decisivo para que a PT possa continuar a sustentar uma generosa política de dividendos.

“Destacaria o que me parece ser o factor chave neste processo: a evolução do mercado de crédito. Este sim parece ser o ponto e não tanto os dividendos da Oi”, afirmou um analista que não quis ser identificado.

A maior telecom de Portugal, cuja cotação desceu 50 pct desde que em Maio de 2011 o país pediu ajuda à União Europeia (UE) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), tem um ‘dividend yield’ na casa dos 16 pct -- o mais elevado do sector europeu.

O grupo indicou, relativamente a 2011, o pagamento de um dividendo de 0,65 euros por acção, depois de ter pago um dividendo de 1,65 euros relativo a 2010, na sequência da venda da sua posição na brasileira Vivo à, por 7,5 mil milhões de euros.

No passado dia 4 de Janeiro, a PT pagou aos accionistas um dividendo intercalar de 0,215 euros por acção como adiantamento sobre os lucros do exercício de 2011.

A PT comprometeu-se a aumentar o seu dividendo anual em entre 3 pct e 5 pct até 2015, se as condições do mercado o permitirem, mantendo assim a atractividade de política de remuneração accionista, que tem sido a pedra angular da sua estratégia no mercado de capitais.

No entanto, alguns analistas têm levantado dúvidas sobre a capacidade da PT manter esta ‘generosidade’, sobretudo após a telecom portuguesa ter visto o seu ‘rating’ sucessivamente cortado, arrastado pela deterioração da notação de Portugal, que está sob um resgate internacional, para a categoria de ‘lixo’.

Ontem, a Moody’s reafirmou o rating de ‘Ba1’ atribuído à PT em 21 de Dezembro, com ‘outlook’ negativo, mas a Standard & Poor’s cortou o rating da PT para ‘BB+’ em 20 de Janeiro, enquanto a Fitch reduziu para ‘BBB’ a 6 de Dezembro, estas duas últimas mantendo perspectivas negativas. (Por Filipe Alves; Editado por Sérgio Gonçalves)

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