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Fact Check-Não há provas de que contas da JBS na Suíça bancaram campanhas de Lula e Dilma

17 Ago (Reuters) - Não há provas de que campanhas dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, receberam 300 milhões de reais em propinas de contas abertas pela JBS na Suíça, como alega um vídeo que voltou a circular nas redes sociais nos últimos dias. O conteúdo tira de contexto uma reportagem antiga e omite que as investigações sobre o caso nunca comprovaram que os políticos ou suas campanhas seriam os beneficiários dos valores. Lula é o candidato do PT à Presidência nas eleições deste ano.

Em 2017, ao firmar acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o empresário Joesley Batista afirmou que os valores foram usados em campanhas eleitorais dos petistas, mas que as contas estavam em seu nome. À Reuters, a PGR disse que a questão foi “superada” depois que o acordo foi repactuado em 2020 e que não poderia informar se ficou comprovado que Batista mentiu em depoimento sobre Lula e Dilma, pois o processo de delação corre em sigilo.

A alegação sobre Lula e Dilma está presente em um vídeo publicado em abril de 2021 no Facebook e que voltou a circular recentemente (here). No total, até esta terça-feira, o conteúdo havia sido visto mais de 4,5 milhões de vezes. Uma legenda dentro do vídeo alega que a “JBS Friboi abriu duas contas na Suíça com 300 milhões de propina p/ Lula e Dilma”.

O vídeo utiliza parte de uma reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, veiculada em 19 de maio de 2017, na qual foram exibidos trechos da delação de Joesley em que ele fala dos supostos recursos para as campanhas de Lula e Dilma (glo.bo/3A0Tyjf).

No entanto, o trecho usado contém um erro de informação que foi reconhecido pelo próprio Jornal Nacional na edição do dia seguinte: que as contas foram abertas nos nomes de Lula e Dilma. Segundo o depoimento do próprio Batista, as duas contas estavam em nome dele. O programa publicou uma errata em seu site (here), e a correção também foi lida ao vivo na edição do dia seguinte (here).

Em agosto de 2017, três meses após a divulgação da delação do empresário, o procurador da República Ivan Cláudio Marx disse ao UOL que a versão contada por Batista sobre as supostas contas não tinha como ser provada. “Pedimos documentos para comprovar, e não veio nada”, disse (here). Na época, a defesa do empresário negou que ele houvesse mentido.

Em setembro do mesmo ano, o acordo de Batista foi rescindido porque, segundo a PGR, informações sobre crimes foram omitidas (here), mas não havia informações específicas sobre a questão das contas na Suíça supostamente dedicadas a campanhas de Lula e Dilma. A delação foi repactuada em julho de 2020 (here).

Antes da delação em 2017, o banco suíço Julius Baer encerrou as contas do empresário após identificar padrões de transferências sem justificativa e um volume de dinheiro que apontava para possíveis crimes financeiros, noticiou o jornal O Estado de S. Paulo. A instituição, no entanto, desconhecia os beneficiários das movimentações (here).

As defesas dos ex-presidentes sempre negaram as acusações. Na época da delação, os advogados de Lula disseram que “as afirmações de Joesley Batista em relação a Lula não decorrem de qualquer contato com o ex-presidente, mas sim de supostos diálogos com terceiros, que sequer foram comprovados”. A assessoria de imprensa de Dilma afirmou que as alegações do empresário eram “improcedentes e inverídicas” (here).

VEREDICTO

Falso. Não há provas de que as campanhas dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, receberam propina de 300 milhões de reais em contas abertas pela JBS na Suíça, como alega um vídeo que voltou a circular nas redes sociais nos últimos dias. O conteúdo tira de contexto uma reportagem antiga e omite que as investigações sobre o caso nunca comprovaram que os políticos ou suas campanhas seriam os beneficiários dos valores.

Este artigo foi produzido pela equipe da Reuters Fact Check. Leia mais sobre nosso trabalho de checagens de afirmações nas redes sociais aqui (here).

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